Em apresentações únicas, a Orquestra Metropolitana traz diversidade em seu corpo musical e apresenta um espetáculo inédito unindo músicos com e sem deficiência
O concerto “Música Inclusiva” terá suas últimas duas apresentações nos dias 22 e 23 de outubro, às 20 horas no teatro Paulo Eiró, Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, próximo à estação do metrô, Linha Lilás “Adolfo Pinheiro”. Entrada gratuita.
Em meio a um espetáculo de sons e ritmos o concerto foi criado para comprovar que a verdadeira inclusão se dá com empatia e inserção. São 36 músicos, sendo 9 deles PcD que são unânimes em dizer que a sociedade precisa inclui-los em atividades cooperadas com pessoas sem deficiências e que procuram participar de projetos verdadeiramente inclusivos, pois sabem que terão a empatia, tão importante para o desenvolvimento pessoal de qualquer pessoa.
O espetáculo tem duração aproximada de 90 minutos e traz na apresentação o Professor Duda, avatar do Instituto Humanus para Pessoas com Deficiência, idealizador do projeto, que conta como são utilizadas algumas técnicas de comunicação e sobre a necessidade da presença da tecnologia assistiva em nosso pensamento coletivo. Entre as apresentações, estão observações das interações usadas pelo Maestro Rodrigo Vitta durante o espetáculo para sincronizar o conjunto de talentos da orquestra, dando um show de empatia e ensinamentos de amor ao próximo.
Dotados de persistência, talento e virtudes o corpo artístico misto da Orquestra Metropolitana, regida por Rodrigo Vitta, seu criador e Maestro, dão um espetáculo de superação a cada ensaio e apresentação, além das suas superações pessoas, também ao acompanharem o pianista Júlio César, ex-jogador de futebol, que perdeu a audição total após a aposentadoria dos gramados e que buscou em sua memória musical, notas, acordes e melodias que o ajudaram a compor a obra “Jogadas da Vida para Piano e Orquestra”, com orquestração a cargo de Rodrigo Vitta, que emociona a cada toque nas teclas do piano vocalizando em alguns momentos a melodia que traduz um conjunto de memórias e emoções que o inspiraram.
No programa estão obras de autores com alguma deficiência como “Pavane” de Gabriel Faurè (compositor com deficiência auditiva aos 58 anos) interpretada pela soprano Victória Vitta, que faz as suas primeiras apresentações em público; Abertura Sinfônica “O Homem e o Tempo” de Rodrigo Vitta (compositor com semiparalisia infantil e atrofia no membro inferior), orquestração do próprio autor; “Sinfonia n.1 para Orquestra” de Ludwig Von Beethoven (compositor com deficiência auditiva aos 30 anos), orquestração do próprio autor.
Para garantir o ingresso gratuito, basta acessar o site https://musicainclusiva.com.br/ e preencher os campos. O evento conta com espaço para 50 cadeiras de rodas além de espaço para pessoas com mobilidade reduzida, Audiodescrição e Libras.
“Música Inclusiva”
Dias 22 e 23 de outubro
Horário: 20 horas
Local: Teatro Municipal Paulo
Eiró
End.: Av. Adolfo Pinheiro, 765 –
Santo Amaro, São Paulo – SP
(próximo à estação Adolfo
Pinheiro, linha Lilás do Metrô e diversas linhas de ônibus)
Entrada Franca
Ingressos exclusivamente pelo
site www.musicainclusiva.com.br
Estacionamentos particulares nas
imediações
Ficha Técnica:
Regente: Maestro Rodrigo Vitta
Solistas: Victoria Vitta (solista
soprano) e Júlio César de Souza (solista piano)
Orquestra Metropolitana
Apresentação: Professor Duda
(Rodolfo Sonnewend)
Realização: Instituto Humanus
para Pessoas com Deficiência
Produção: Soulitude Áudio e You
Comunicações
Compositor e produtor do projeto
Música Inclusiva: Daniel Guimarães
Conheça alguns dos integrantes
PcD do projeto:
“Sempre trabalhei com
música, é a minha paixão, mas mantinha outras atividades remuneradas para
prover a renda, já que é complicado viver com a música. Sofri um acidente de
trabalho como operador de empilhadeira e aí perdi o movimento da minha mão e
foi aí que o meu mundo desabou. Segundo os médicos, depois de três cirurgias,
eu não poderia mais tocar e foi difícil, fiquei durante três anos sem conseguir
movimentar a mão, mas com muito trabalho e fisioterapia consegui. Hoje tenho
sequelas, não tenho o movimento do meu quinto dedo, mas consegui voltar a tocar
e continuei seguindo como trombonista profissional. Sempre gostei de
voluntariar em ONGs e senti a falta de conhecer um projeto de música para
pessoas com deficiência e aí você vê que não tem inclusão, tem profissionais,
como no meu caso, que tem deficiências consideradas leves e eu conseguia me
manter na música. Foi quando conheci a OPESP, que boa parte dos músicos também
estão aqui, e aí conseguimos entrar no mercado de música clássica, a minha formação
é mais em música popular mas estudei a erudita também e aí conheci o Daniel e
para mim está sendo um prazer muito grande participar desse projeto e uma coisa
é fazer algo para pessoas consideradas normais e outra para PcD, temos que ter
inclusão e a inclusão é ser inserido, pois apesar da limitação física não
haverá impedimento de fazer, ele apenas terá o tempo e a forma de fazer que
talvez seja de forma diferente, como se deu comigo, hoje faço as mesmas coisas
que fazia antes, mas precisei me reinventar, e a inclusão é você dar para as
pessoas com deficiência a oportunidade de fazer as mesmas coisas que as
“pessoas normais” fazem, só que de forma adaptada. Então para mim é muito
gratificante participar desse projeto e seria bem legal se as pessoas tivessem
consciência de participar de um projeto desses ou que surgissem vários que
pudessem incluir as pessoas nas grandes orquestras, nas artes. Não existem
projetos onde os deficientes deixam de ser coadjuvantes e sim, incluídos pela
sua capacidade pessoal junto com os demais.” – “Tiago Moreira, 40 anos,
trombonista, trabalha profissionalmente com música há mais de 20 anos.
Formado em pedagogia, Gestão Comercial pela FATEC, especialização em Gestão de
Projetos pela USP, morou em Buenos Aires por aproximadamente um ano para
estudar economia e tem MBA. Atualmente faz mestrado em Políticas Públicas pela
USP e mesmo falando outra língua fluente, e mesmo com toda a expertise
adquirida durantes os anos, sente dificuldades “Vemos que o mercado para o PcD
não é tão igual, as empresas estão condicionadas a contratarem pela “cota” e
não pela formação da pessoa. Mesmo com graduação e experiência é difícil,
existe a diferença de salário dos demais que não têm deficiência. Inclusão é
quando a pessoa consegue ter a oportunidade de provar que é capaz de participar
do processo como os demais”, conclui.
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“Comecei na música em 2009
tocando violino e depois passei para a viola em 2013. Tenho visão monocular,
enxergo só do olho direito, isso é decorrente de um acidente com a bicicleta e
tive lesão no nervo ótico, me levando a perder a visão do olho esquerdo. A
primeira experiência foi na igreja, depois em projetos sociais; consegui uma
vaga na Escola Municipal de Música onde tenho toda uma formação, em 2017
consegui uma bolsa e me formei em Música em 2020.
Há dois anos decidi mudar de
carreira por conta da instabilidade e comecei a estudar Tecnologia onde
conquistei uma colocação no mercado, me afastando um pouco da música, mas
recebi o convite de um amigo para integrar esse projeto e confesso que me traz de
volta o prazer da arte.” Matheus Assunção, 25 anos, Viola.
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“Iniciei com “aulinhas” desde a
infância, mas comecei a tocar profissionalmente faz uns dois ou três anos. Iniciei
por estudos esporádicos, passei por uma orquestra amadora, depois sinfônica,
banda de rock, e fui passando por diferentes linhas artísticas musicais, e
profissionalmente comecei em 2022 na OPESP, Orquestra Parasinfônica de São
Paulo.
Através do grupo da OPESP vi o
convite e já mandei mensagem e conheci o Maestro que já tinham me falado muito
bem e realmente fiquei aliviada em saber que ele é ótimo. Há poucas
oportunidades para pessoas com deficiência tocarem, as pessoas pensam que nós
somos menos profissionais, menos capazes, menos inteligentes, então toda vez
que tem um projeto relacionado a isso eu tento galgar algum lugar.
Desde os quatro anos queria ser
violinista e não conseguia falar devido as minhas dificuldades neurológicas,
tenho baixa mobilidade, TEA e outros transtornos neurológicos e assim que tive
capacidade pedi para tocar, mesmo assim não foi permitido e aí eu só aprendi a
tocar violino aos 19 anos. Nesses dez anos tentei sair do violino, mas não
consegui porque no meu caso é uma questão de necessidade e não necessariamente
de desejo. Não escolhi o violino, ele me escolheu e a música é um dos momentos
em que eu me sinto bem é quando estou tocando violino, apesar do estresse e do
cansaço é uma das poucas coisas que dão sentido” Flavia Martins, 29
anos, Violino.
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“Comecei com quase 16 para 17 anos,
mas conheci o clarinete com 10 anos em um projeto da escola que se chamava
“Musicalizando e Alfabetizando” e a cada semana os professores levavam uns
instrumentos diferentes, mas lembro só do clarinete e a professora tocou “Asa
Branca” e a partir dos meus dez anos decidi que queria ser clarinetista. Tive
algumas dificuldades até começar a estudar devido a minha condição, TEA, e
pelas condições de locomoção devido à distância, morava em Peruíbe, e era um
pouco difícil chegar ao local, por isso só comecei a estudar mesmo aos
dezessete anos.
Mandaram mensagem sobre o projeto
no grupo da OPESP e toda vez que a gente vê algum projeto relacionado a músicos
PcDs, a gente participa porque já sabemos que vai ser uma coisa mais fácil para
a gente participar. Também toco em outros lugares, mas quando a gente sabe que
vai ter acessibilidade a gente fica mais tranquilo na hora de ensaiar e
apresentar porque geralmente quando vamos aos lugares, já estamos acostumados a
ver as pessoas nos julgarem. Então quando a gente sabe que vai ter
acessibilidade, traz tranquilidade, os ensaios estão muito satisfatórios e eu
acho que os concertos vão ser muito bons.” Suzele Raquel, 32 anos,
Clarinete.
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“Sou artista desde os três anos
de idade e comecei a modelar e a atuar nos palcos e entre os quatro e cinco
anos ingressei nos estudos de música. Sou flautista e PcD, não enxergo de um
dos olhos e é de desde quando nasci, veio se agravando com o passar do tempo. A
importância desse projeto vale para o Brasil e para o mundo. A sociedade s
pessoas têm que começar a ver as pessoas com deficiência de uma forma não só
inclusiva, mas de uma forma natural, as pessoas precisam ver que as pessoas com
deficiência não precisam viver à margem da sociedade, mas elas precisam viver
ou fazer além do que são julgadas como pessoas que ficam sem função na
sociedade. O que está sendo mostrado aqui é que essas pessoas estão incluídas e
podem se sentir idênticas como qualquer outra pessoa, sem distinção e ainda
usando a música, que é uma expressão da alma. É muito maior do que apenas
incluir, é fazer com que as outras pessoas que estão assistindo e participando
também possam sentir para além daquilo o que vêem nelas ou são, para que possam
dizer “eu sou músico e por acaso tenho uma deficiência pois elas podem ser
muito iguais, muito melhores do que qualquer outra pessoa, basta querer e é
isso o que a gente está mostrando e as pessoas têm que olhar para a gente com o
olhar inclusivo, livre de qualquer distinção”. Garbila Bizutti, 21 anos, atua na Produção do projeto.
É artista: atriz e musicista, faz
parte da OFJ Orquestra Filarmônica Jazz SESI SENAI Sorocaba, como flautista e
também trabalho com pré-produção em produtoras audiovisuais e de áudio.
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Rodrigo Vitta – Compositor, Regente e Professor (semiparalisia
infantil e atrofia no membro inferior)
Nasceu em São Paulo e é mestre em
Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e Bacharel em Composição pela FMU/FIAMFAAM.
Rodrigo Vitta é diretor artístico da Orquestra Metropolitana (BRA), Orquestra
FMU/FIAMFAAM. Já atuou como regente da Orquestra Sinfônica de Montevideo,
Orquestra de Monte Carlo, Banda Sinfônica de Cubatão, Orquestra Sinfônica de
Santos, Orquestra do Festival Eleazar de Carvalho e entre outras.
Vitta tem
quatro Prêmios Nacionais em Composição Sinfônica sendo o último, dado pela
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Toda sua obra para piano foi gravada
pela
pianista Russa Olga Kopylova na AzulMusic. Para conhecer o maestro Vitta
www.rodrigovitta.com.br
Júlio Cesar de Souza, piano. (deficiência auditiva total)
Júlio Cesar de Souza, o
futebolista que ficou surdo, se tornou pianista, e estará se apresentando no
Projeto Música Inclusiva do Instituto Humanus, fez parte da equipe principal de
um dos maiores times de futebol de São Paulo e até os 29 anos de idade levou
uma vida normal de atleta, até quando se aposentou do futebol. Sua vida começou
a mudar aos 30 anos, quando percebeu que estava perdendo total e gradativamente
a audição. Hoje, depois de muito treino e do desenvolvimento de uma regência
dupla do maestro Rodrigo Vitta, conseguiram juntos alcançar a perfeição na
comunicação pessoal e musical, ao realizar com ritmo e harmonia, obras
sinfônicas clássicas, e por isso Júlio César ganhou o título de “Beethoven
Brasileiro”.
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Professor Duda é o avatar do Instituto Humanus interpretado por
Rodolfo Sonnewend, diretor do Instituto que em 2011, após sofrer um grave
acidente doméstico, perdeu parcialmente a mobilidade na perna desenvolvendo poli
artrose no tornozelo e escoliose na coluna lombar. “A mudança do meu centro
gravitacional acelerou o quadro clínico, (declaração)
Através de entrevistas com os
mais diversos nomes do mercado PcD o Professor Duda apresenta e levanta temas
pertinentes ao grande empresariado e gestores públicos a fim de trabalhar o
olhar da governança para uma parcela da população que precisa de inserção.
@dudahumanus
https://www.youtube.com/@institutohumanus3053
Mais informações para a
Imprensa:
Cida Candido / Instituto Humanus
Fone (11) 98997-4865
